Brasil

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É por demais sabido o histórico descobrimento do Brasil. Que D. João II já saberia ou não da existência deste futuro país, quando impôs o prolongamento para Oeste do Tratado de Tordesilhas, para o caso pouco importa, porque polémico. O certo é que o Brasil foi «achado» (termo que os Brasileiros preferem em vez de «descobrimento», aquando da segunda viagem à Índia numa esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral (que na altura ainda tinha o apelido de Gouveia), isto é outra conversa. Conta-se, portanto, muitas versões sobre o achamento do Brasil que, para uns foi um acaso de «ventos», enquanto para outros foi uma ordem «secreta» do então rei D. Manuel I. Seguindo os palpites muito seguros de D. João II, pois este tinha, há anos atrás, recusado a oferta de Cristóvão Colombo em que o navegador genovês se comprometia chegar à Índia rumando sempre para Oeste. O rei D. João II, depois da viagem de Bartolomeu Dias, quando este dobrou o Cabo das Tormentas, que a partir desse momento se chamou Cabo da Boa-Esperança, teve a certeza que o caminho marítimo para a Índia era por ali e não como Colombo julgava. Até porque dois exploradores que ele, D. João II, mandara por terra (Pêro da Covilhã e Afonso Baldaia), também lhe deram notícias muito interessantes que o levaram a acreditar, cada vez mais, nos seus palpites. infelizmente morreu antes de ver confirmadas as suas suspeitas e os louros foram para o rei seguinte D. Manuel I que talvez dissesse a Pedro Álvares Cabral para se «encostar» o máximo possível a Oeste.

 

Vou aqui apenas relatar os primeiros momentos da chegada a terra firme dos primeiros portugueses a este belo país que foi colónia portuguesa ate 1826, isto depois de várias lutas que duraram cerca de quatro anos.

 

... « Cabral deu ordem de reunir todo o mundo e combinou com os seus capitães a melhor forma de pôr os pés do território novo. No dia 23 de Abril de 1500, o comandante Nicolau Coelho desceu à terra. Era o primeiro português em solo americano. Na praia havia gente a esperá-lo: eram indígenas que a Europa desconhecia. Não houve luta e até se conta que um dos marinheiros que acompanhava Nicolau Coelho, quebrou o espanto e o mutismo daquela gente, quando começou a tocar um pífaro o que deixou os indígenas muito espantados e alegres a baixar, logo, as suas armas e começaram a dançar com os poucos marinheiros portugueses. Daí dizer-se que Portugal «conquistou» o Brasil com umas escassas notas musicais. Assim começaram, num clima de paz, amizade e curiosidade mútua, as relações entre indígenas e portugueses. E houve troca de brindes. Aos indígenas foram-lhes entregues, barretes vermelhos, roupas de linho, sombrinhas pretas e facas. Os portugueses receberam cocares de penas vermelhas e pardas, colares de contas brancas e miúdas. Depois dos portugueses se abrigarem num «porto seguro», retomou-se o contacto com os nativos. O piloto vai à praia e faz o primeiro convite. Convite aceito, dois índios sobem a bordo. O espanto é recíproco; os europeus ficam muito confusos ao verem que os índios têm o lábio inferior perfurado por um osso. Os índios também ficaram muito espantados e assustaram-se ao verem uma galinha. Quanto à «etiqueta ocidental» portaram-se de uma maneira muito estranha: ao receberem comida e vinho, provaram e, sem nenhuma cerimónia, jogaram-nos fora. Durante as conversas, mais por gestos que por palavras, deram a entender que ali havia muito ouro e prata. De qualquer maneira, os nativos ficaram cansados, deitaram-se e adormeceram. Ou, nas palavras de Caminha «estiraram-se de costas, na alcatifa a dormir». Vários dias, depois, Cabral seguiu para o seu destino (Índia) enquanto outras caravelas voltaram a Portugal para dar a boa-nova a D. Manuel I ...»